A involução do funk

funk

Vou começar este post dizendo que todas as pessoas têm o direito de gostar do que bem entender. Fazemos parte de um país livre, onde nossa liberdade de expressão existe, mesmo que às vezes não seja muito respeitada. Dito isso, posso afirmar que poucas coisas ainda me chocam atualmente. Já vi muita coisa estranha, já fiquei sabendo de outras e já ouvi, principalmente, muita coisa que não queria ouvir. Como esse tal de MC Pedrinho.

O funk brasileiro é um estilo de música que eu não gosto nem um pouco. Não aprecio, não dou risada, não aproveito e não danço. Respeito quem gosta, mas desde que não me “forcem” a ouvir junto (como quando se está no ônibus e colocam funk no celular, alto, sem o fone de ouvido.. :/ ).
Já li em algum lugar o comentário “o funk brasileiro é um filme pornô narrado”. E concordei. A quantidade de besteira e palavrões usados só servem para ilustrar uma imagem: sexo.

Mas o que me espanta é a quantidade de Mc’s que aparecem do nada. Tem Mc Mayara, Mc Pedrinho, Mc sei lá o que.. Qualquer um pode fazer funk, não precisa ter veia artística para a coisa. Basta colocar uma “batida” ultrapassada e feia, cantar, ou até mesmo declamar uns versos picantes ou vulgares, e pronto. Aí você nem precisa esperar muito para virar sucesso. Qualquer coisa ruim pode tocar na rádio. É só o ouvinte pedir.

Aí paro e penso: e os pais dessas crianças que vivem cantando e dançando funk? O que eles acham? Será que sentem orgulho de seus filhos? Será que querem ser avós mais cedo e acham lindo os filhos se iniciarem sexualmente de forma precoce? O que diria a mãe da menina que canta “Teoria da branca de neve: por que só ter um, se eu posso ter sete?”. Ou então a mãe da garotinha que canta com orgulho “espelho, espelho meu, será que existe alguém que senta melhor do que eu?”.

O que houve com o bom e velho funk americano de James Brown ou Jimmy Bo Horne? Aquilo sim tinha algo de legal. Além do som ser mais bem construído, as letras eram divertidas, dava para dançar e curtir um bom som. Não dá vergonha em ouvir este tipo de som. Por mais que uma ou outra canção apresentasse letras mais “calientes”, nada se compara ao que existe hoje no Brasil. Claro, outros artistas norte-americanos também faziam uso de letras mais picantes em suas músicas, como 50 Cent com Candy Shop. A apologia ao sexo é feita de forma quase explícita, mas com gírias e metáforas que “escondem” um pouco o significado. Já o funk brasileiro extrapola todas as barreiras do que deveria ser implícito ou não e escancara tudo para qualquer um ouvir em alto e bom som.

Ou seja, ao invés do funk evoluir, partindo do funk americano, fizeram algo totalmente inferior, de qualidade duvidosa, e chamaram ironicamente de funk. Está aí o funk brasileiro. Putaria (com o perdão da palavra) se espalhando como um vírus. O famoso vírus da modinha. Um escuta e de repente meio mundo de gente está escutando, dançando, cantando. Lembro-me da época que tocava músicas antigas, da era Disco, nas festinhas. Todo mundo levantava e ia para a pista de dança mostrar seus passos antiquados e engraçados. Hoje em dia, tocam as músicas antigas e poucos gatos pingados aparecem dançando. Começa o funk e o povo todo se levanta e vai rebolar como se não houvesse amanhã.  Crianças e idosos que não entendem as letras, além dos jovens que não estão nem aí para nada.

Novamente, respeito quem escuta funk, da mesma forma como respeito quem gosta de música clássica. Cada um é livre para escutar o que quiser. Mas fico triste de ver o desrespeito com os outros. A falta de noção de muita gente que escuta essas músicas com o som super alto e acham que aquilo é lindo. Que está arrasando, chamando a atenção por onde passam. O mundo não tem mais aquela preocupação com a própria imagem. Hoje parece que só pensam: “Fale bem ou mal, mas fale de mim.” É realmente assim que o mundo funciona agora? E esse lance de “objetizar” a mulher? Nem começo a falar disso… O_o

 

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